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Gestalt-Terapia Parte II
Hugo Elidio Rodrigues - continuação
Assim, o que é então a Gestalt-Terapia ( GT ) hoje ? A GT é uma prática que se orienta pela visão do homem como um todo, não o vendo como um "neurótico" ou como um "esquizofrênico" ou como um "isso" ou "aquilo". A patologia é apenas mais uma das várias partes do todo que aquele indivíduo é, e sua "doença" é encarada como a maneira mais "saudável" que sua natureza encontrou para enfrentar situações insuportáveis ou conscientemente inconciliáveis.
Não significa aí que há uma negação do estado patológico, do sofrimento do paciente pelo estado em que se encontra. Somente é feito um novo enfoque, baseado na constatação que - através de tal estado - a pessoa foi capaz de sobreviver e de chegar até ali, ao ponto em que está. E, assim como houve uma necessidade para esta pessoa organizar-se desta maneira ( independentemente da consciência ou inconsciência dela sobre esta organização ), a GT questiona se não haveria outras maneiras, outras formas de ser e viver, que possam atender mais precisamente ao momento na qual a pessoa vive - suas necessidades atuais.
Esclarecendo melhor, a GT parte do pressuposto que cada indivíduo apresenta sua específica organização interna; cada indivíduo é único e inigualável, e o seu funcionamento é sua melhor tentativa de se adaptar às pressões do seu meio. Logo, se houve uma estrutura edificada para dar conta de um problema sofrido, esta estrutura teve sua necessidade, surgiu para uma função em alguma época e se hoje é tida como uma "doença" é porque sua função não é mais necessária. Com isto, da mesma maneira que houve uma organização específica para gerar o comportamento patológico, parte-se do pressuposto que estas mesmas forças são capazes de se re-organizarem ( ou melhor, atualizarem-se ) para se adaptarem de uma nova maneira aos requisitos de hoje.
Com isto o trabalho clínico da GT será voltado para uma ampliação da consciência do indivíduo sobre seu próprio funcionamento, sobre como ele age ou como se bloqueia em sua tentativa para alcançar seu próprio equilíbrio. Assim, o foco terapêutico é deslocado das mãos do terapeuta ( do pressuposto detentor do "conhecimento" ) e vai para a relação terapêutica, onde o gestalt-terapeuta trabalhará para que o indivíduo perceba a responsabilidade sobre suas escolhas e - através do inicial apoio do terapeuta - alcance dentro de seu próprio tempo e possibilidades, uma atitude mais autonôma e auto-sustentada.
Para isto, o enfoque do trabalho visará sempre o que o indivíduo traz de uma maneira global ( o que sente, o que experimenta, o que pensa, sua postura corporal, sua respiração etc) no momento presente, ou como se diz na GT, no "aqui-agora"( consultar nossa sessão "Glossário"). Considerando o indivíduo como um todo, percebe-se que no que ele "é" se insere tudo o que ele foi. Logo, não há necessidade de sair do presente e partir para um passado que distancia cliente e terapeuta do foco das incertezas emocionais vivenciadas no "aqui-agora" . A GT é uma prática que requer disponibilidade para investir, disponibilidade para "ir junto" , para expor-se e envolver-se num processo "humano" e não em um processo "observador-objeto".
Concluindo, não temos a pretensão de esgotar aqui o que é a GT, mas cremos ter tocado em alguns dos pontos principais desta abordagem psicoterapêutica. Ressaltamos aqui que o enfoque principal desta abordagem é a própria relação. Devido a estas particularidades, a GT é um importante instrumento que pode ser usado por todo aquele que quer dar prioridade às relações humanas, que "cuida", que "trata" , que "acompanha".
NOTA 1 :
( 1 ) : Asssociacionismo : A teoria do Associacionismo teve como um dos seus principais fundadores, o filosófo David Hume ( 1711/1776). Este autor nos mostra que há certos princípios que regem as conexões entre as idéias, tais como os princípios de semelhança ( uma idéia sugere uma outra semelhante), contiguidade ( no espaço ou tempo, de modo que idéias surgidas em um momento ou em um local, podem ser lembradas juntas) e causa e efeito ( uma idéia que gera uma conseqüência e sugere outras idéias advindas da primeira, ou também ao contrário, quando as idéias geradas pelo desdobramento de uma ação, nos sugere a idéia que deu origem a ação) .
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