Psicossomática e Gestalt-Terapia:
Abordando o Corpo Gestalticamente

Graça Gouvêa

O trabalho corporal em Gestalt-Terapia, não obedece a um projeto pré-estabelecido pelo terapeuta, o que acontece em muitas das terapias corporais, uma vez que o gestalt-terapeuta procura acompanhar o fluxo de consciência do cliente, focalizando e amplificando as suas sensações para, a partir daí, favorecer a amplificação espontânea de movimentos (podendo ou não levar a catarse - ver em nossa sessão "Glossário"). - Ver referências bibliográficas, livro 11, livro 16,livro 26 e livro 28.

A GT preconiza que a auto-regulação do organismo sempre procura alternativas criativas para a satisfação das necessidades (mesmo quando uma doença se instala o propósito inicial é a auto-regulação do organismo); assim sendo,o terapeuta pode estimular, através de técnicas vivenciais, a sensibilização das necessidades atuais, favorecendo a tomada de consciência e possibilitando um reajustamento criativo.Compreendendo que o adoecimento se deve a um ajustamento que não é mais funcional para o organismo, pois tal ajustamento está desatualizado em relação às necessidades deste, atendendo a necessidades fantasiadas.

A doença reflete um comprometimento na capacidade de escolha e a cristalização de uma determinada resposta do organismo (defesas patológicas), atuando em cima de necessidades, na maioria das vezes, não mais atuais (respostas às experiências do passado, projetadas como fantasias no presente). O trabalho corporal visará a ressensibilização do organismo para que possa reestruturar novas respostas criativas que atendam as suas necessidades atualizadas.

A catarse não é vista como um fim em si mesma, pois só tem valor se a relação terapêutica a comporta e lhe oferece significado (assim como qualquer técnica ou experimento gestáltico). O sintoma corporal é deliberadamente utilizado como "porta de entrada", que permite um contato direto com o cliente, respeitando a via que ele mesmo "escolheu" ( o sintoma geralmente recebe a atenção da consciência).

Abordar o corpo gestalticamente, implica no reconhecimento do funcionamento integrado do corpomente ( ref.: livro 28) e numa ação terapêutica integrada através do exercício da "awareness" ( ver nossa sessão "Glossário", também consultar bibliografia, livro 26).

A abordagem gestáltica pode ser uma das abordagens psicoterápicas mais adequadas para o trabalho com o paciente somatizador, como procuraremos demonstrar a seguir.

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